{"id":46579,"date":"2023-10-30T09:17:45","date_gmt":"2023-10-30T12:17:45","guid":{"rendered":"https:\/\/abral.org.br\/?p=46579"},"modified":"2023-10-30T09:17:45","modified_gmt":"2023-10-30T12:17:45","slug":"mauricio-de-sousa-as-licoes-do-artista-que-completa-88-anos-de-vida-e-mais-de-60-anos-de-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abral.nhsinfo.com.br\/en\/mauricio-de-sousa-as-licoes-do-artista-que-completa-88-anos-de-vida-e-mais-de-60-anos-de-carreira\/","title":{"rendered":"Mauricio de Sousa: as li\u00e7\u00f5es do artista que completa 88 anos de vida e mais de 60 anos de carreira"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"sc-aa737d12-2 bSTVNX\">Um dos maiores cartunistas brasileiros conta \u00e0 EXAME como se tornou refer\u00eancia no Brasil e no mundo, al\u00e9m de seus desafios e diferenciais que o mantiveram no mercado mesmo ap\u00f3s 6 d\u00e9cadas<\/h2>\n<p>\u201cCrie desenhos de manh\u00e3 e administre \u00e0 tarde\u201d. Esse foi o conselho do pai do Mauricio de Sousa, que o incentivou a viver do que ele mais ama fazer, mas desde que soubesse vender. Ap\u00f3s 64 anos de carreira, sendo 60 anos s\u00f3 da Turma da M\u00f4nica completados neste ano, um dos cartunistas mais famosos do Brasil continua fazendo seus tra\u00e7os e nesta sexta-feira, 27, completa 88 anos de vida.<\/p>\n<p>Os desenhos de Mauricio ganharam espa\u00e7os em jornais, gibis, propagandas, teatros, brinquedos, parques, desenhos animados, livros e agora o cinema. Em novembro, ser\u00e1 lan\u00e7ado um livro sobre a sua hist\u00f3ria empreendedora.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 EXAME, o artista e escritor comenta o que o motivou, os desafios e aprendizados durante a sua carreira de mais de 6 d\u00e9cadas.<\/p>\n<h2><b>Quando surgiu a ideia de ser cartunista?<\/b><b><\/b><\/h2>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando eu encontrei um gibi na rua. Levei para casa e mostrei para minha m\u00e3e e falei: \u201cM\u00e3e, o que \u00e9 isso aqui?\u201d<\/p>\n<p>Ela sempre muito paciente respondeu que eram hist\u00f3rias em quadrinhos. Eu questionava o que estava escrito e sempre pedia para ela ler para mim. Eu queria que ela lesse mais uma hist\u00f3ria e mais uma hist\u00f3ria, e ela come\u00e7ou a n\u00e3o ter tanto tempo para os trabalhos dom\u00e9sticos de tanto que eu pedia.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que ela aproveitou meu interesse com os gibis e me ensinou a ler. Na \u00e9poca eu n\u00e3o estava na escola ainda, tinha entre 4 e 5 anos, mas nessa fase eu j\u00e1 estava beliscando as letrinhas.<\/p>\n<p>A minha curiosidade era tanta de ler, que eu tinha muita pressa, tanto que aprendi a ler em 5 semanas. Eu adorava o que eu estava vendo e pensei: \u201cEu quero fazer esses bonequinhos tamb\u00e9m e quero fazer historinhas.\u201d<\/p>\n<h2><b>Como o seu pai te incentivou?<\/b><b><\/b><\/h2>\n<p>Meu pai tamb\u00e9m escrevia. Meus pais eram poetas e compunham m\u00fasicas. Em uma fam\u00edlia de artistas, vivendo em uma casa cheia de livros, eu tinha um cen\u00e1rio perfeito para ser o que eu queria. Meu pai me dava livros e desenhos e eu j\u00e1 estava em uma idade em que eu come\u00e7ava a dominar o tra\u00e7o, por volta dos 5 anos.<\/p>\n<p>O primeiro desenho que eu vi e gostei muito era o Super Coelho. Eu tentava copiar o desenho, lembro que eu tinha livros e revistas com esses desenhos. Foi assim que botei na cabe\u00e7a que eu queria fazer a mesma coisa que eu tinha visto no primeiro gibi da minha vida que eu achei jogado a cal\u00e7ada. Meu pai sempre me incentivou, mas tamb\u00e9m sempre refor\u00e7ava: \u201cCrie desenhos de manh\u00e3 e administre \u00e0 tarde\u201d.<\/p>\n<p>Ele me ajudava a desenhar tamb\u00e9m, inclusive nas paredes. Lembro da minha m\u00e3e irritada com isso, mas foi com essas pequenas artes que fui tendo liberdade para criar.<\/p>\n<h2><b>Qual foi o primeiro desafio como cartunista?<\/b><b><\/b><\/h2>\n<p>Meu maior desafio era a minha vergonha. Eu morria de vergonha de cobrar os meus desenhos, mas meu pai era radialista e me levou at\u00e9 a r\u00e1dio para conhecer um especialista da \u00e1rea comercial. Meu pai achava que ele seria um bom mentor, que iria me ensinar a negociar melhor o meu trabalho e a perder a vergonha.<\/p>\n<p>O especialista se chamava Bruno, era um italiano, que um dia me disse: \u201cComo voc\u00ea desenha, voc\u00ea vai fazer o cartaz das empresas que est\u00e3o colocando os produtos \u00e0 venda. Voc\u00ea faz o desenho e voc\u00ea cobra, t\u00e1 bom?\u201d<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sabia por onde come\u00e7ar e o quanto cobrar. Foi a\u00ed que ele me orientou a cobrar 50 cruzeiros na \u00e9poca. Eu fiquei em p\u00e2nico e o questionava: \u201cComo assim? Ningu\u00e9m vai pagar, \u00e9 muito dinheiro!\u201d<\/p>\n<p>Mas como ele entendia de neg\u00f3cios, obedeci, e comecei aos 15 anos a cobrar os 50 cruzeiros. Para a minha surpresa as encomendas de cartazes comerciais come\u00e7aram. E at\u00e9 que deu dinheiro. Foi assim que eu comecei a pagar o aluguel de casa.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, eu ainda n\u00e3o tinha certeza se eu seguiria fazendo hist\u00f3rias em quadrinhos. Era o meu grande sonho, mas os quadrinhos estavam um pouquinho longe.<\/p>\n<h2><b>O seu primeiro emprego foi como jornalista?<\/b><b><\/b><\/h2>\n<p>Sim, eu fui rep\u00f3rter policial na Folha. Mas para entrar l\u00e1 n\u00e3o foi f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Com 18 anos, resolvi ir at\u00e9 \u00e0 reda\u00e7\u00e3o da Folha, porque eu queria um emprego de desenhista. Tive um \u201csai para l\u00e1\u201d de um diretor do jornal nada elegante. Ele me disse: \u201cEsquece desenho. Desenho n\u00e3o d\u00e1 futuro para ningu\u00e9m\u201d. Esse foi o meu primeiro n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, um outro jornalista, que j\u00e1 era um senhor de idade, soube que o diretor tinha me dado uns \u201cn\u00e3os\u201d horrorosos e me deu um conselho:<\/p>\n<p>\u201cMauricio, voc\u00ea fez uma coisa errada. Voc\u00ea falou com uma pessoa que voc\u00ea n\u00e3o conhece e nem ele te conhece. Faz o seguinte. Entre no jornal, toma um caf\u00e9 com um pessoal, uma cervejinha de vez em quando no bar, e isso facilitar\u00e1 a venda do que voc\u00ea quer fazer.\u201d<\/p>\n<p>Eu achei a ideia interessante e comecei a entrar no jornal para falar diretamente com o pessoal da reda\u00e7\u00e3o. Foi por meio desses encontros casuais que um dia finalmente eu consegui um emprego de rep\u00f3rter policial, onde atuei por 6 anos.<\/p>\n<p>Como rep\u00f3rter policial, al\u00e9m de escrever as mat\u00e9rias, quando acontecia um acidente, por exemplo, eu desenhava o local. Quando tinha um chefe de quadrilha na hist\u00f3ria, eu desenhava a cara do sujeito. E da\u00ed o diretor da reda\u00e7\u00e3o gostava e publicava.<\/p>\n<p>Assim, fui melhorando os meus tra\u00e7os, o meu estilo, buscando como eu poderia desenhar melhor.<\/p>\n<h2><b>Quando foi que publicou a sua primeira tira de quadrinhos?<\/b><b><\/b><\/h2>\n<p>Ainda como rep\u00f3rter, uma vez eu resolvi fazer um desenho em tirinha, cuja c\u00f3pia est\u00e1 na entrada da minha empresa. Foi o primeiro desenho que eu fiz para entrar no jornal. Mostrei para os redatores, eles olharam e acharam bonitinho. Era a tirinha do Bidu e do Franjinha.<\/p>\n<p>E eu perguntei: \u201cVoc\u00eas pagam?\u201d. Eles disseram que sim, que pagariam.<\/p>\n<p>Fiquei ainda incr\u00e9dulo e questionei: \u201cV\u00e3o publicar?\u201d<\/p>\n<p>Quando eles disseram que sim, vi a oportunidade de falar o que eu realmente queria ser: \u201cEnt\u00e3o, n\u00e3o quero mais trabalhar com reda\u00e7\u00e3o, agora eu quero ser desenhista.\u201d<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que eles me contrataram e o meu sonho come\u00e7ou a se tornar real.<\/p>\n<h2><b>Como criar um personagem?<\/b><\/h2>\n<p>Voc\u00ea tem que ter uma viv\u00eancia, conhecer gente, saber o que est\u00e1 acontecendo com essas pessoas. No meu caso eu tinha filhos pequenos que me serviram de inspira\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>A M\u00f4nica \u00e9 a minha filha mais velha, que eu via quando crian\u00e7a brigando com o coelho e com a irm\u00e3zinha dela.<\/p>\n<p>A outra minha filha estava no canto da cozinha comendo uma melancia inteira. Adivinha quem \u00e9?<\/p>\n<p>Cebolinha e Casc\u00e3o eram dois meninos que vi jogando futebol com o meu irm\u00e3o M\u00e1rcio de Sousa. Cebolinha realmente tinha o cabelo espetado e trocava as letras, e o Casc\u00e3o realmente n\u00e3o tomava banho, porque faltava \u00e1gua na casa dele.<\/p>\n<p>Colegas de escola tamb\u00e9m me inspiraram a criar personagens, assim como os meus professores. Quando voc\u00ea se inspira, voc\u00ea constr\u00f3i um personagem vivo, onde as pessoas aceitam com mais facilidade.<\/p>\n<h2><b>Qual \u00e9 o seu personagem preferido?<\/b><\/h2>\n<p>N\u00e3o tenho um personagem preferido, todos s\u00e3o como meus filhos, foram criados por mim. A M\u00f4nica se destacou porque ela era e \u00e9 empoderada.<\/p>\n<p>Inclusive, h\u00e1 uns tempos, ela passou na minha mesa e disse: \u201cPai, estava pensando aqui que o senhor exagerou no que eu o senhor colocou nas hist\u00f3rias como minha personalidade.\u201d<\/p>\n<p>Falei: \u201cOh, filha, desculpa, se eu exagerei um pouco, mas n\u00e3o foi por mal, al\u00e9m disso fez sucesso.\u201d<\/p>\n<p>E ela retrucou: \u201cEnt\u00e3o, pai, eu n\u00e3o sou exatamente brabona, eu s\u00f3 tenho pavio curto.\u201d<\/p>\n<p>Eu acabei rindo da situa\u00e7\u00e3o, porque acabo conversando com os meus personagens ao vivo.<\/p>\n<h2><b>Quais foram os principais desafios como cartunista?<\/b><\/h2>\n<p>Cobrar pelo trabalho era a maior vergonha que eu tinha, sem d\u00favida. E n\u00e3o era s\u00f3 eu, a maioria dos artistas sofre disso at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos ensinamentos do Bruno, que era do comercial da r\u00e1dio, outra sacada comercial surgiu quando eu trabalhava no jornal ainda como rep\u00f3rter. Vinha o marketing dos americanos para vender tiras e a dire\u00e7\u00e3o pedia para eu avaliar. Eu ficava olhando com o meu pobre ingl\u00eas tudo o que eles falavam. Fato \u00e9 que esse material me ajudou bastante a montar o meu esquema de apresenta\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n<p>Naquele tempo eu desenhava, mas n\u00e3o dominava ainda o personagem, por\u00e9m eu j\u00e1 sabia o que precisava fazer. Com o tempo, amadurecemos, eu e os personagens.<\/p>\n<p>Outro desafio foi saber trabalhar com os contratos das editoras. Ao ver o hist\u00f3rico do material americano que dominava o mundo, encontrei hist\u00f3rias de desenhistas que fracassaram, e \u00e0s vezes desenhistas bons, que simplesmente por falta de registros oficiais perdiam os personagens. O Super-Homem foi assim. O Coelho da Disney tamb\u00e9m foi roubado. Al\u00e9m deles perderem os personagens, eles ficaram na mis\u00e9ria. Ouvia as hist\u00f3rias de desenhistas americanos que estavam em melhores condi\u00e7\u00f5es e que davam at\u00e9 comida para esses desenhistas antigos. Saber ler os contratos, me ajudou a chegar at\u00e9 aqui.<\/p>\n<h2><b>O que fez o senhor ter mais de 60 anos de carreira?<\/b><\/h2>\n<p>Al\u00e9m de saber ler os contratos, cheguei at\u00e9 aqui porque sempre busquei fazer novas coisas e com capricho. Temos que dar o nosso melhor, al\u00e9m disso, respeitar e conversar com o p\u00fablico \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>No caso do artista, o tra\u00e7o, o estilo, a mensagem, os comportamentos dos personagens &#8211; tudo isso tem que estar vestindo o desenho.<\/p>\n<p>Foi assim que lan\u00e7amos em 1970 o primeiro gibi da Turma da M\u00f4nica pela Editora Abril. S\u00e3o mais de 1 bilh\u00e3o de revistas j\u00e1 publicadas. No Brasil n\u00e3o parou nunca, mas j\u00e1 tivemos publica\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses.<\/p>\n<h2><b>Quais dicas o senhor d\u00e1 para quem quer ser cartunista?<\/b><\/h2>\n<p>Brinque de desenhar. N\u00e3o fique pensando que precisa ter um tra\u00e7o bem-feito no in\u00edcio. \u00c9 preciso se aperfei\u00e7oar, sem autocr\u00edticas. Tenta, tenta e tenta. E copia, copia e copia. Sem preocupa\u00e7\u00e3o de fazer um desenho perfeito no in\u00edcio.<\/p>\n<p>Eu sempre estimulei a criatividade dos meus filhos. A Marina, minha filha, desenha como eu. Ela \u00e9 diretora de conte\u00fado. Quando crian\u00e7a, ela criava as capinhas das revistas e levava para eu ver.<\/p>\n<p>Eu morava em uma casa que tinha um corredor e nele eu colocava lousa, quadros de papel, e material para eles pintarem. Na sala tamb\u00e9m tinha um piano, e hoje tenho dois filhos pianistas. Aquele era um corredor da cultura! Eles passavam por l\u00e1 brincando, e era assim, por meio de seus desenhos, que eu via o que passava na cabe\u00e7a deles. Creio que essa ideia de criar um corredor criativo eu herdei do meu pai que fazia os desenhos nas paredes.<\/p>\n<p>Para mim, o artista \u00e9 um profissional teimoso que precisa de espa\u00e7o. Por isso, continue tentando e ganhe o seu espa\u00e7o.<\/p>\n<h2><b>Como o Mauricio de Sousa Produ\u00e7\u00f5es chegou no Jap\u00e3o?<\/b><\/h2>\n<p>O mercado japon\u00eas \u00e9 um dos mais dif\u00edceis, mas escolhemos l\u00e1 porque os personagens que eu criei tem um olho grande, um certo DNA japon\u00eas, que eu descobri com o meu amigo Tezuka, cartunista japon\u00eas criador do mang\u00e1. Ele foi um grande amigo meu, aprendi muita coisa com ele tamb\u00e9m. Sempre que eu posso tento conhecer e trocar ideias com artistas de outros pa\u00edses. A troca \u00e9 muito rica.<\/p>\n<p>Criamos a sede da empresa no Jap\u00e3o h\u00e1 4 anos e com ela algumas novidades. Uma das inven\u00e7\u00f5es que criamos no Jap\u00e3o foi uma revista em quadrinhos para que crian\u00e7as brasileiras pudessem entender a cultura local e assim se enturmar melhor com as crian\u00e7as japonesas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m criamos, mas em escala global, a s\u00e9rie de desenhos animados Monica Toy, que \u00e9 um desenho curto e sem fala. S\u00f3 sons e sem idioma. Lan\u00e7amos h\u00e1 10 anos. Uma vez que n\u00e3o precisa de idioma, ele pode instantemente varar o mundo e \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo: n\u00fameros que chegam via Youtube para mim mostram quantas pessoas est\u00e3o vendo meus desenhos animados. Chegamos em caso de 14 bilh\u00f5es de views, que n\u00e3o s\u00e3o apenas no Brasil ou no Jap\u00e3o, mas tamb\u00e9m em v\u00e1rios pa\u00edses, at\u00e9 na R\u00fassia e nos EUA vimos que est\u00e1 fazendo sucesso.<\/p>\n<h2><b>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de criar o Instituto Mauricio de Sousa?<\/b><\/h2>\n<p>\u00c9 uma proposta nossa ligada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, com campanhas de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Uma das coisas que me orgulho muito \u00e9 a gente ter informalmente ensinado milh\u00f5es de brasileirinhos a lerem. Temos todo o cuidado do mundo para n\u00e3o ter nenhuma falha de portugu\u00eas nas historinhas.<\/p>\n<p>Nas minhas andan\u00e7as por a\u00ed, conheci crian\u00e7as que aprenderam a ler sozinhas com o gibi. Tivemos at\u00e9 o reconhecimento da Unesco pelo est\u00edmulo \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as do Brasil e me sinto honrado de ter uma cadeira na Academia Paulista de Letras.<\/p>\n<h2><b>Como o seu trabalho apresenta a diversidade?<\/b><\/h2>\n<p>Trazer a diversidade para os quadrinhos \u00e9 algo que vai acontecendo. N\u00e3o gosto de for\u00e7ar a barra. Foi assim com os personagens com defici\u00eancia, negros e adolescentes&#8230;eles foram surgindo.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o hist\u00f3rias que impactam na vida real. Tem um menino que se vestia igual ao Chico Bento e depois de um tempo, como ele se sentia o personagem, ele come\u00e7ou a falar com os pais. E agora ele est\u00e1 um mo\u00e7o e est\u00e1 desenhando e colorindo muito bem. Foi como uma terapia. Essa hist\u00f3ria fica batendo na minha cabe\u00e7a, porque para mim foi marcante.<\/p>\n<p>Para acompanhar a realidade, a liga\u00e7\u00e3o tem que ser direta com o p\u00fablico, \u00e9 muito importante. Tanto que eu respondo o Twitter at\u00e9 hoje.<\/p>\n<h2><b>Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos planos?<\/b><\/h2>\n<p>Estamos estudando colocar o material todo em espanhol tamb\u00e9m e criar um gibi para os leitores s\u00eaniors, afinal, nosso p\u00fablico cresceu e muitos aprenderam a ler com a Turma da M\u00f4nica. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o, mas tem um estudo danado sobre isso.<\/p>\n<p>Quero continuar desenhando e apostarei de novo no cinema. Teremos filmes a cada 2 meses. A bilheteria foi t\u00e3o bacana, que fiquei entusiasmado. Agora mesmo est\u00e1 sendo feito o filme do Chico Bento. O da Turma da Monica Jovem estreia neste fim de ano e no pr\u00f3ximo ano teremos o filme da minha vida. Em novembro, ser\u00e1 lan\u00e7ado tamb\u00e9m a minha biografia &#8220;Crie de manh\u00e3 e administre \u00e0 tarde\u201d.<\/p>\n<p>Hoje vendemos cerca de 12 milh\u00f5es de gibis por ano s\u00f3 no Brasil. Isso mostra que o brasileiro, apesar de 60 anos, gosta de ler sim, e vejo com muito orgulho que meu trabalho foi algo passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia mais: https:\/\/exame.com\/carreira\/mauricio-de-sousa-88-anos-de-vida-e-mais-de-60-anos-de-carreira\/<\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos maiores cartunistas brasileiros conta \u00e0 EXAME como se tornou refer\u00eancia no Brasil e no mundo, al\u00e9m de seus desafios e diferenciais que o mantiveram no mercado mesmo ap\u00f3s 6 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